“E pensar que eu adorava Agatha Christie…”

Drika Yar

Sempre fui apaixonada por livros de detetives…. As mortes elaboradas, os crimes sempre de difícil solução… Agatha Christie era uma de minhas autoras prediletas. Acabei de jogar todos os livros fora! Nunca mais quero saber dela, ou do Rick Castle, Lily Rush ou de qualquer outro detetive policial…

Por quê?

Estava eu no metrô quando um maluco pulou na minha frente… Uma faca enterrada no peito… Ele apontou em minha direção, gritou algo e puff… caiu duro no chão!  

Sabe aquele dia em que tudo dá errado?

Pois é! Hoje foi a minha sexta-feira treze. Meu inferno astral. O final do meu calendário Maia. Não que eu seja religiosa ou acredite neste bando de baboseiras, mas hoje era um daqueles dias em que eu não deveria ter levantado da cama.

Era hora do rush…

As pessoas se acotovelavam na plataforma do metrô como gado que se espreme entre as cercas aos ser empurrado para a o abatedouro.

Estava cansada. Meu chefe decidira descontar suas frustrações pessoais em mim e, como resultado, tive que revisar todo o portfólio de clientes da Agência de Publicidade sozinha. Fiz o trabalho de uma semana em dois dias. Fiquei sem almoço. Cheguei tarde ao cineminha marcado, e fiquei sem namorado. Nem um obrigado do Boss.

Encostei na parede da escada e fiquei ali parada observando o movimento. Quando o trem parasse e as pessoas deslizassem para o seu interior, eu me daria o direito de me mover e entrar na composição.

Senti um encontrão e meu corpo projetou-se para a frente. Mãos ágeis me seguraram. Vi de relance um anel. 

– Desculpe, moça! Eu lhe machuquei? Indagou a voz forte e determinada do jovem de terno que me apoiava.

Eu sacudi a cabeça numa negativa, e ele se afastou  com um sorriso, mergulhando na multidão de passageiros. Inspirei profundamente. Aquele havia sido o ponto alto do meu dia. Receber um sorriso de um estranho. Uma brise fresca e contínua invadiu a plataforma anunciando a chegada do trem.

Desci os degraus que me separavam do mar de trabalhadores que voltavam para casa. Mas algo me arrebatou. Alguém se agarrou a mim. Tentei gritar mas minha voz não ousava sair de minha garganta.

Era o mesmo jovem de antes. Seu rosto lívido agora era a fotografia da dor – contorcido e sombrio.

Ele tentou se agarrar a mim, mas suas mãos não tinham força e lentamente seu corpo se afastou do meu deslizando em direção ao solo.

Pensei que ele estava desmaiando. As mãos dele se fecharam ao redor das minhas… Percebi que ele me dera algo para segurar.

Ele ainda tentou balbuciar algo, mas um filete de sangue escorreu pelo canto de sua boca.

Teria ele dito: Proteja-o?

Ajoelhei-me ao seu lado e para meu completo terror, o homem diante de mim estava morto. Uma faca com o cabo entalhado com intrincados desenhos que mais pareciam hieróglifos jazia encravada em seu peito.

Senti o almoço que nem tinha comido subir pelo meu esôfago querendo sair. O mais próximo que eu cheguei de um defunto foi através das estórias que li sobre detetives famosos ou dos filmes que assisti no cinema e na tevê.

Dei um passo atrás, assustada. Antes que pudesse reagir ou dizer qualquer coisa às pessoas que estavam na plataforma se acotovelavam como gafanhotos sobre um louva-a-deus recém-falecido.

Continuei a subir as escadas do metrô. Meu coração disparou. Sai sem rumo. Andei por horas. Quando dei por mim, estava diante do Mosteiro de São Bento.

Entrei. Molhei o dedo na água benta. Fiz o sinal da cruz, e me sentei em um dos bancos da igreja anexa ao mosteiro. Somente então vi que carregava um livro em minhas mãos. O mesmo livro que o jovem assassinado havia me entregue minutos antes.

Na outra extremidade do banco, um monge com manto estava de joelhos rezando em latim. Após alguns segundos, o religioso se aproximou e sentou-se ao meu lado. Era um homem alto, com corpo largo, robusto, que não denotava a aparência franzina tão estereotipada de um religioso careca e flácido.

Ele colocou a mão sobre a minha. Senti um arrepio.

Antes que eu pudesse me levantar e correr para longe dali, ele sussurrou algo em latim, e depois me disse que estava tudo bem e que o assassino do jovem escudeiro já havia pago por seus pecados.

Petrificada, não resisti quando ele removeu o livro de minhas mãos. Ele ajoelhou-se diante de mim, beijou minha mão numa reverencia arcaica e antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ele havia sumido pela porta principal da igreja do mosteiro.

Aquilo tudo era algo que só devia acontecer na ficção… Não na vida real!

Após rodar a esmo por algumas horas pela cidade, cheguei à minha casa.

Fui direto para o escritório, e olhei a minha volta.

De hoje não sobra nada!

Eu odeio Dan Brown!

Eu odeio Agatha Christie!

Até os DVD’s do Castle vão pra lixeira!

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Faltam 2 dias!

A Festa Litero Musical (FLIM) de 2019 promete!

São mais de 40 autores regionais, diversos lançamentos e muitas mesas de debate, além de inúmeras atrações.

Venha curtir um passeio no Parque Vicentina Arannha e conversar com os autores da nossa região.

Esta galera hiper talentosa escreve em estilos dos mais variados, incluindo Haicais, Poesia, Crônicas, Contos e Literatura Fantástica!

Venha nos conhecer e prosear um pouco!

Vem!

Drika, out!

A FLIM acontece no Parque Vicentina Aranha em São José dos Campos [Fonte: Trip Advisor]

#FLIM2019 #festaliteromusical #parquevicentinaaranha #entradafranca #culturaparatodos #falasériomaispoesia #drikayar

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Contagem Regressiva!

Isso aí, moçada!Faltam 3 dias pra FLIM! Se preparem, reservem horário na agenda e ‘simbora’ pro Vicentina pra curtir, literatura, música e artes.Espero vocês, lá!

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Ué?! Tem que ser homem pra tocar guitarra?

Amo música desde pequena, e há uns dez anos decidi voltar a tocar guitarra, tendo me inscrito numa escola de música, e tudo.

Recentemente, estive na Rua Teodoro Sampaio em São Paulo/SP, para comprar uma guitarra – eu buscava um instrumento que fosse versátil, talvez com dois humbuckers, com timbre gordo/aveludado, e um braço fino para facilitar os solos, pois toco basicamente pop-rock e hard rock.

Porém, ao tentar entrar numa determinada loja, um funcionário me olhou com desdém de cima a baixo (será que é por que sou mulher, gordinha e na faixa dos 40 anos?) e me disse pra ir na loja de frente que vendia usados por que lá eu teria muitas opções de compra.

Minhas feições devem ter deixado claro o choque que levei com as palavras do funcionário da loja.

Caraca! Estamos no século XXI, praticamente em 2020, e ainda rola preconceito contra mulheres guitarristas no Brasil?

Nem preciso dizer o quão ofendida fiquei, e depois de alguns segundos para recuperar a minha compostura, ainda insisti que eu realmente procurava um instrumento de uma determinada marca da qual a loja era representante.

Aí, o funcionário da loja ficou sem ação. Porém, mesmo assim, ele não mostrou as guitarras, nem perguntou se eu gostaria de entrar e testar os equipamentos disponíveis no SHOW-ROOM deles. O mais engraçado é que o mesmo funcionário que não me deu atenção, e me mandou embora pra comprar algo na loja de usados de frente, estava dando atenção a outros dois senhores que já estavam na loja e testavam instrumentos.

Ultrajada pela situação constrangedora, sai da loja mais frustrada ainda por não ter conseguido nem testar (e se tivesse curtido comprar) as guitarras. Alias, acho que depois do que passei naquela loja, nunca irei comprar um instrumentos da marca de lá.

Infelizmente, o preconceito contra mulheres que tocam guitarra ainda não foi superado no Brasil, o que é uma vergonha!

Já imaginou o que teria acontecido se a Orianthi ou a Nita Strauss tivessem entrado na loja, e se, o vendedor não as tendo reconhecido, fizesse com elas a mesma coisa que fizeram comigo???

Não quero nem imaginar!

Fui!

Drika, out!

PS: Parece que não sou a única a passar por situações constrangedoras por tocar guitarra, né, Orianthi?

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Fonte da Imagem: ttp://www.azquotes.com/quote/912597

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Rótulos

Já fui chamada de tudo na vida
Se me esmero no trabalho, perfeccionista
Se converso com os amigos, vadia
Se banco a advogada do diabo, pessimista.

Se conto piada, divertida
Se dou risada, extrovertida
Se fico afastada, introvertida
Quando pergunto se posso ajudar, intrometida.

Se tomo um chope, estou chapada.
Se engordo, estou inchada.
Se emagreço, estou chupada.

Mas, no espelho, ao final do dia,
Vejo uma pirada, divertida e engraçada
Que não liga pra nada!


Rótulos - Drika Yar

Áudio:

 

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Assunção de Função Animal

FotoPoema - Drika Yar - Assunção de Função Animal


Na floresta, cada animal tem sua função!
O Rei é o leão.
Seu senescal é o Gavião.
E, o bobo da corte é o Pavão.

A hiena é esperta,
Ligeira,
Companheira da escuridão,
Invejosa como um cão.

Já o cachorro é o xerife enfezadão
Enquanto o cavalo é trabalhador esforçado
Por todos admirado.

Enquanto isso, o macaco é o fofoqueiro de plantão
Leva e traz as notícias do sertão.
Para ele, tudo é diversão!


Audio:

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Cura, Coração! Cura!

FotoPoema - Drika Yar - Cura Coração Cura

Versão em Áudio:


Cura Coração! Cura!

Drika Yar

Em Arraial d’Ajuda
Todos os amores têm cura
Nem precisa pedir ajuda
De Nossa Senhora da Cura.

Na matriz no alto da colina
Espiava na ponta dos pés a menina
As fitas que no ar serpenteavam
Profissão de fé dos que ali oravam

Cada fita colorida que fica
Pendurada ali na grade altiva
Do lado do vendedor de alguma coisa frita

E no alto da falésia
A galera fantasia
A companhia para a noite vazia.

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Bom dia, Café!

Bom dia Café - Drika Yar

Versão em Áudio:


Bom dia, Café!

Drika Yar

O café nosso de todo dia
Nos acorda com alegria
E traz à monotonia
O sabor de pura magia.

A cada gole tomado
Percebe-se a textura do grão torrado
Delicadamente selecionado
Casualmente adoçado

O pão dourado
Levemente amanteigado
Derrete nos lábios pintados

E neste dia alegremente iniciado
O jornal babado é o agrado
Trazido por meu cão amado.

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Para os amantes de música e quadrinhos!

Quem me conhece sabe que amo música… e quadrinhos!

Apesar de ter tido as primeiras aulas de música aos 12, talvez 13 anos de idade, foram apenas nos últimos 10 anos que voltei a tocar violão/guitarra, fazendo inclusive aula com professor e tudo.

Em minha jornada em busca do meu “eu” na música, descobri não somente identificar os tipos de músicas que curto, desde de gênero a timbre, mas também os modelos de violão e guitarra que melhor se adaptavam a mim e a estes estilos musicais.

Pra minha surpresa, acabei me apaixonando pela Les Paul SG, ou simplesmente SG (Solid Guitar), um modelo de guitarra que foi desenvolvido pela Gibson ainda na década de 60.

Ainda não sabe de que guitarra estou falando? Sabe aquela que tem dois chifrinhos? Aquela uma que parece a guitarra do Batman!

Tá vendo! A parte superior da guitarra, próximo ao braço lembra o símbolo do Batman.

Desde 2007, quando comprei minha primeira SG e esta analogia (SG é a guitarra do Batman) me veio a cabeça, pensei em comprar uma guitarra e modelar o escudo pra imitar o BAT-logo.

Só que eu acho que não fui a única a pensar nisso porque um brazuca foi muito mais além e customizou uma SG toda ao estilo Homem-Morcego.

Saca só!

Curtiu?! Então dá uma olhada do site “Pauleira”! Lá eles mostram como foi a odisséia desta obra-prima de Gotham City, desde a compra da guitarra SG na Teodoro Sampaio em Sampa até a finalização do projeto. Simplesmente demais!

Referência: http://pauleira.com.br/customizacao/batman-sg-custom/#more-6193

Rolou um crush com está SG que vocês não entendem!

Será que ele faz uma destas pra mim?

Amei!

Fui!                    DY - Truss Rod Cover - Gibson


PS: Pra quem ficou curioso onde eu faço aula, e reside na região de São José dos Campos, vale a pela conhecer a galera da RedBill Escola de Música. red-bill

http://www.redbill.com.br/

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Fauna Estranha

Fauna Estranha - Drika Yar

Versão em Áudio:


Fauna Estranha

Drika Yar

Nunca vi a jiripoca piar,
O sábio sabiá,
Ou a suçuarana serpentear
Entre o pau-brasil e o jequitibá.

O bicho-de-sete cabeças se cocar
O espírito-de-porco se alimentar
Vaca driblar
Ou minhoca pensar

Lobo em pele de cordeiro se revelar
O Gato a lebre imitar
Ou mesmo, Boi na linha parar.

Muito menos, cavalo na chuva ficar,
Ou o elefante usar celular
Se bem que, com a macaca, ele pode estar.

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