Papel-jornal

Papel higiênico é legal
Sabia que ele substituiu o jornal?
Até na casa paroquial
E no botequim do Herval.

Folha simples ou folha dupla
Todo mundo usa sem culpa
Afinal ele é tão funcional
Que para seu uso não existe desculpa excepcional

Se antes era amarelado
Hoje é embranquecido
E com filigranas decorado

Mas lá em casa, quem é fã dele é o gato
Que leva o rolo pra todo lado
E faz dele, gato-e-sapato.

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Ah! É do Egito!

Brasil guerra não curte não
Talvez seja por isso que o mosquitão
Tenha se mudado pra cá
Sonhando em nosso sangue se banhá(r)

O danado do alado de nome egípcio
Apesar de efêmero
Parece estar sempre no cio
Pica tanto a criança quanto o adultero

Importado da África
O mosquito-zebra de pernoca listrada
Visitou tudo que é canto, inclusive Piracicaba

Já não bastasse sua Flórida chegada
Sua indolor picada é a maior furada
Deixa a gente dengosa numa uma zica danada!

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Frutas da Estação

Minha mãe gosta de ugunzá
Eu adoro cajá
Há, quem no lugar de pão com ovo,
Prefira um melão delicioso

A morena, com ginga no mambo,
Só tem olhos pro jambo
Mas sempre acaba trepada
No pé de jabuticaba.

Azeda é a carambola
Mas seu doce estrelado
Não é melado
Ora bolas!

Doce é a acerola
Mas foi pro suco de graviola
Misturado com granola
Que fizeram canção pra vitrola.

A pitomba,
Quem curte é a pomba!
E a uva?
Melhor não falar da viúva!

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Burgundy

No arco-íris todas as cores são bem-vindas
Exceto por uma que foi banida
Esta cor bandida
É chamada, por alguns, de maravilha

Até seu nome gera controvérsia
Grená parece chamado de gralha velha
Vinho? Só ela estiver enrubescida.
E cereja não lhe faz jus, ela é vermelha-escura acastanhada, caquética

Seu nome é uma incógnita
Que parece não responder a lógica
E, eis que ficamos perdidos em meio a toda essa dialética

Enquanto isso, a triste cor foragida,
Por muitos, esquecida
Permaneci ali, adormecida.

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Engenharia Sexual

por Drika Yar

Não há cunho sexual
Na engenharia ambiental

Enquanto a mecânica convencional
Se diverte com a terminologia pseuso-moral

Tratamentos térmicos e superficiais
Tolerâncias geométricas e dimensionais

Estados Principais de Tensão…
Eixo principal de translação

Peças macho e fêmea tem relacionamento,
O qual, deveria ser sem igual

Mas quando há brochamento
É mal sinal

No ensaio de Fadiga, da superfície de revolução,
A tensão flutua entre tração e compressão

Mas se houver alongamento, há de haver estricção
Aí, se prepare para a desaceleração

Não se esqueça da vibração, com seu perfil senoidal
Ou da extrusão com seu pistão axial

Na fundição, quanto maior a complexidade da fêmea
Mais delicado deve ser o macho, sua alma gêmea

O passo do fuso tão confuso
Quanto os picos e vales do parafuso

Usinagem química é mais adequada para avião,
E o ajuste fino da marreta para canhão

A ancoragem mecânica, apesar de estática dinâmica,
Não é âncora, nem peça mecânica.

Se insatisfeito você tiver com o seu dimensional,
Pode tentar um processo de acabamento não convencional.

Se o motor for digital,
Cuidado com a energização.

É por isso, que se estuda eletrônica e tal,
Considerando-se o estado da relação de ligação.

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Litheratrupe – Força Total!

http://wp.me/p6ZCnz-5m

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Ar do Sertão

Adoro viajar
E visitar cada lugar
Diferente no ar
No sentir e no estar

Queria emoção
E foi então
Que vi a expedição
Para um tal de Jalapão

Um safári pelo sertão afora
Para observar a fauna e a flora
Uma aventura gloriosa

No rio, o caiaque eu virei
Pelas dunas escorreguei
E a Serra da Estrela, pé ante pé, conquistei!

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A rede

Deitada na rede avisto algo
Um rabo que abana pra todo lado

Penso então, “O que eu faço?”
Ponho o livro de lado

E abro os braços
Mas não recebo um abraço

A dog joga as patas sobre mim
E quando dou por mim

Tem um rabo cotó virado pra mim
E é assim, deste jeitinho assim,

Que a dog diz pra mim,
Que ela quer dormir na rede, juntinho de mim.

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A árvore portal

Portal é coisa ou um lugar?
Passo a soleira, e fico a imaginar
Aonde esta porteira mágica pode me levar

Sobre a frondosa árvore deves ficar
E se tiver tempo, há de se sentar
E um outro mundo irá avistar
Se abençoada seu guardião lhe considerar

As palavras proféticas da senhora idosa fiquei a escutar
E quando a Abadia de Glanstonbury fui visitar
O tal do portal decidi procurar

Ao sentar sob sua copa, a árvore me reverenciou
Quando, seus floridos galhos, abaixou
E num segundo, para outro lugar me transportou.

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Brasileiro aqui ou Gringo lá?!

Gostei muito da matéria “Cinco coisas que você precisa saber antes de ir morar fora do Brasil” sobre a visão distorcida que alguns brasileiros tem da vida fácil fora do Brasil.

Viajei algumas vezes ao exterior. E em cada viagem, tento fazer o “blend in”, ou seja, me misturar com a população. Em resumo, você observa os maneirismos, a forma como se vestem, se apronta e sai, a fim de vivenciar a cultura local sem o filtro que é mostrado aos turistas.

É como trocar o camarote da Sapucaí, pela oportunidade de participar de um ensaio lá na quadra da Portela no meio do povão!

Claro, que ao abrir a boca, por mais fluente que você seja, vão logo perceber que você não é nativo… Uma gíria ultrapassada! Uma hesitação em dizer algo corriqueiro. O sotaque que oscila.

Bom, é aí, que as aventuras começam! Pois, no momento em que você está fora do seu país, e os nativos acham que você não é turista, é que o preconceito sai das sombras e mostra os dentes, independente da cor da pele, religião e formação acadêmica.

Lá fora, somos os diferentes, somos gringos e ponto  final!

Deixo aqui os parabéns a autora pela iniciativa da matéria, belissimamente ilustrada sobre as diferenças culturais e as dificuldades que os brasileiros enfrentam no exterior.

Mas não se enganem de que é é preciso sair do Brasil para entender este sentimento de ser imigrante! Nosso pais continental nos possibilita oportunidades únicas. Uma mudança de cidade, e às vezes de estado, já possibilita sentir na própria carne as agruras descritas pela Marjorie Rodrigues em http://www.pragmatismopolitico.com.br/2016/02/cinco-coisas-que-voce-precisa-saber-antes-de-ir-morar-fora-do-brasil.html

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