A Roda do Ano

Parte I – Primavera

A Primavera é o alvorecer da roda do ano,
Quando a neve se esmorece ao olhar Balzaquiano
Revelando a relva ao bichano
Que espreita com olhar cartesiano

Nos rios, o gelo derrete sem danos,
Sem rumo, sem enganos,
Velozmente insano e inumano
Num tormento quase diluviano.

Apesar do leviano olhar humano,
Os animais ficam encantados,
Amáveis e enamorados.

As flores desabrocham num oceano
De cores contagiantes de um rúbeo mundano
Em meio ao cinza urbano.


Parte II – Verão

Verão é quando a prima Vera vai embora
E o sol desponta rápido e brilhante
E fica lá até altas horas
Banhando a todos com sua alegria contagiante

E a maritaca voa da roseira para a amoreira
Pois o bem-te-vi está cantando contente à sombra da parreira
Enquanto a andorinha ligeira,
Faz acrobacias ali, depois da amendoeira.

Na praia, as crianças correm incansavelmente
Pés descalços na areia quente.
No rosto um sorriso contente que remetem ao passado doce da gente

E o casal enamorado,
Deitado sobre o gramado,
Sonha com seu refúgio sagrado.


Parte III – Outono

Ainda não amanheceu?
O sol se escondeu?
O dia encolheu…
Mas a chuva não compadeceu!
Após o fuxico de um amigo seu
A maritaca se recolheu
Pois o plúmbeo céu
Anuncia um breu
Douradas, as folhas dançam no horizonte ruço
Sobre a relva descansam do furdunço
Pois a rave alada, deu um descanso!
Em meio a tudo, a furiosa onça
Aguarda esperançosa
O nascimento da cria dengosa.


Parte IV – Inverno

Quanto a Terra inverna,
A temperatura se altera
O urso hiberna
E a dinâmica da natureza se alterna

A neblina desce
A garoa se espessa
A geada aparece
E o céu cinza espanta a pressa

O sorvete dá lugar ao chocolate
Que quente
Aquece a mão da gente

E à noite, na lareira
A roda de amigos se regorjeia
Contando ‘causos’ da vida passageira.

Sobre Drika Yar

A autora nasceu na cidade do Rio de Janeiro, em 1971. Curiosa e questionadora, sempre buscou formas diferentes de olhar para as coisas a sua volta, talvez, daí tenha surgido o interesse pela área de exatas. Seu gosto pela leitura e, posteriormente, pela escrita aflorou ainda na adolescência em meio sua fascinação por ficção científica, bem como, pelos contos e lendas das Eras Antiga e Medieval.
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