A Intrusa Epígrafe

Por Adrianna Ribeiro

Não é incomum, considerando minhas madeixas acobreadas, que volta e meia eu me veja perdida em meio às palavras e seus significados. Eis que hoje discutíamos um texto de Borges e foi solicitado que refletíssemos sobre a epígrafe do conto “A Intrusa”.

Mas o que é uma epígrafe?

Segundo alguns dicionários, uma Epígrafe seria um título ou frase que serve de tema ou de introdução à um assunto.

Primeira dúvida. Qual é (ou quem é) a epígrafe? O título do Conto ou a referência à passagem da Bíblia?

Pois é.

Como eu me meto nestas enrascadas, eu não sei.

Se for o título, acredito que a expressão “A Intrusa” sumariza bem o conteúdo do conto pois fornece ao leitor de antemão a informação de que um personagem do sexo feminino vai ser o pivô de algo… E como o autor se refere a uma “intrusão”, pode-se afirmar ao se ler o título que a tal mulher provocou algum frisson onde quer que ela tenha se metido.

Por outro lado, se a epígrafe for a referência da Bíblia citada no texto, pode-se inferir que o conto tem a ver alguma outra passagem bíblica atribuída a ele, sendo a mais famosa o “Julgamento de Salomão”.

Mas seria só isso? Será que a citação à Bíblia não serviria de mera indicação ao “texto ou idéia” original de ondem Borges se baseou para o seu conto? Ou talvez ainda, a citação bíblica poderia servir apenas para nos mostrar que ele deu uma outra roupagem a uma história antiga, onde o desfecho surpreende o leitor.

Em resumo, depois de devanear sobre epígrafes e intrusas, não cheguei à conclusão nenhuma, e mais perdida agora, do que quando comecei a refletir sobre o tema proposto.

Intrusa mesmo foi a epígrafe que não devia ter se metido no meu dever de casa!

Ô, Epígrafe intrusona!

Sobre Drika Yar

A autora nasceu na cidade do Rio de Janeiro, em 1971. Curiosa e questionadora, sempre buscou formas diferentes de olhar para as coisas a sua volta, talvez, daí tenha surgido o interesse pela área de exatas. Seu gosto pela leitura e, posteriormente, pela escrita aflorou ainda na adolescência em meio sua fascinação por ficção científica, bem como, pelos contos e lendas das Eras Antiga e Medieval.
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