A Beleza está nos olhos do Observador

Por Drika Yar

Esta semana me pediram para refletir sobre nossa capacidade de observação, e tentar ver o mundo através dos olhos de uma criança que está descobrindo tudo a nossa volta.

Percebo então que os anos me moldaram de uma maneira bem peculiar, e que se tornara parte de minha natureza observar e questionar aquilo que orbita a minha volta tanto quanto aquilo que orbito ao entorno.

Uma tempestade de primavera ao final da tarde. Este foi o meu ponto de partida para esta reflexão.
Enquanto voltava do almoço, em meio a árvores seculares, uma brisa leve me acariciou o rosto como alguém que cumprimenta um velho amigo com um beijo de boas-vindas. Uma à uma flores amarelas com bordas avermelhadas dançaram pelo ar, caindo no caminho à minha frente, formando um tapete alegremente florido.

Ao final da mesma tarde, o céu azul adquiriu um tom acinzentado beirando o chumbo.

Nuvens engraxadas migravam a uma velocidade fantástica contaminando as suas irmãs mais alvas – tornando o dia em noite.

A tempestade que se seguiu foi aterrorizante, porém magnífica. Árvores se vergavam ao sabor do vento e granizou precipitou do céu.

Apesar de serem apenas quatros os elementos, sempre tendemos a lembrar apenas de três: a terra, a água e o fogo – relegando o vento a última posição.

Mas o que seria de nós sem o vento?

Em seus braços, ele carrega o pólen para fecundar a terra. Ele alimenta ou extingue o fogo dependendo do seu humor (ou a falta dele) e quanto a água? O que seria dos seres aquáticos sem a brisa doce do mar?

Paro e logo vejo que somos como o vento, carinhosos e possessivos, bem humorados ou sisssudos, calmos ou explosivos, e que precisamos interagir uns com os outros para que possamos tirar o melhor de nós .

Há um ditado que diz que ‘a beleza está nos olhos de quem que a contempla’.

Para mim, o vento é magnífico. E para você?

Como você o vento?

Sobre Drika Yar

A autora nasceu na cidade do Rio de Janeiro, em 1971. Curiosa e questionadora, sempre buscou formas diferentes de olhar para as coisas a sua volta, talvez, daí tenha surgido o interesse pela área de exatas. Seu gosto pela leitura e, posteriormente, pela escrita aflorou ainda na adolescência em meio sua fascinação por ficção científica, bem como, pelos contos e lendas das Eras Antiga e Medieval.
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