Romance Carioca

Nota da Autora #1: Os erros de português neste texto são propositais!
Nota da Autora #2: Este texto contém expressões que podem ser consideradas fortes!

por Drika Yar

O Carioca vê o amor assim. Uma parada doida, meio sinistra, que caído pode te dei-xar, e, na onça, tu vai ficar sem ter como se safar.

Toda esta parada de amor deixa qualquer maluco pirado. Por que, sá coê? Se tu vacilar, a mina vai te deixar bolado. E essa p… toda, esse amor de ocasião, vai te deixar um bagaço!

Só que, se tua Deusa na sua entrar, já é! Maneiro! Demorou! Mas se tu for otário ou arroz, aê, partiu! E o teu coração, mermão, já era, atropelado por uma baranga atroz!

Mesmo assim, sabendo que ia ser arregaçado, o caboclo foi a gata abordar, e um lêro com ela tentar.

Todo posudo, o zé-arruela aborda a menina. “E aí, goxtosa? Queria te chamar pra uma parada?”

Ninguém merece! Ela pensa e ignora o pobre coitado.

“Rola um rolé?” Ele insiste com cara de cachorro sem dono.

E a vagabal sem pestanejar responde ao otário. “Rolé?” E com olhar de desdém, ela o fita de cima para baixo. “Ahaha! Sei coê!”

“Ah, Princesa! Faz isso não.” O cara faz pressão. “Vai ser um programaço.”

“Ahã. Sei. Tu quer é me exibir no Fla-Flu.” Responde ela ao palhaço. “Tu só fala deste jogaço!”

“Jogo que nada. Tava pensando num jantarzaço! Só eu e você, tête-à-tête, na encolha. Lá no Bar do Bagaço.”

“Acha que num sei que tu é da fuzarca! Não vou de busão comer podrão no Maraca, não!”

“Coê, baby.” E pra não perder a linha, o carica ainda manda mais uma. Vai que cola a azaração? “Fala sério?! Que mané busão, flô! Vamô é de fuscão!”

“Tu é chiclete merrrmo, hein!” O sarcasmo estava infiltrado na voz dela. “Não sacou que não tá rolando sentimento?”

“Pô, gata!” Ele tenta. “Queria colar paca contigo! Mas fazer o quê? Tô de saída. Já é. ” Disse ele antes de dar no pé.

Ignorando o zé-migué, ela balança a cabeça irritada. “Que mané!”

Sobre Drika Yar

A autora nasceu na cidade do Rio de Janeiro, em 1971. Curiosa e questionadora, sempre buscou formas diferentes de olhar para as coisas a sua volta, talvez, daí tenha surgido o interesse pela área de exatas. Seu gosto pela leitura e, posteriormente, pela escrita aflorou ainda na adolescência em meio sua fascinação por ficção científica, bem como, pelos contos e lendas das Eras Antiga e Medieval.
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